Exercícios e covid-19: melhore sua saúde física e mental

Fazer atividade física comprovadamente melhora a regulação do humor, o ritmo cardíaco, o sono, reduz o estresse, deixa a mente mais equilibrada, diminui a ansiedade e melhora até a capacidade de decisão. Ou seja, o ganho da atividade física não é só físico, mas emocional.


Mas, para ter esses resultados é preciso praticar exercícios regularmente. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que para fugir da zona de sedentarismo é preciso praticar pelo menos 30 minutos de exercícios diários ou 150 minutos semanais.


Os inúmeros benefícios da atividade física não são novidade, mas e nesse período de covid-19? “ As atividades físicas não evitam o contágio pelo vírus, mas são fundamentais para fortalecer o sistema imunológico, tão demandado neste momento. A prática regular, aliada a uma alimentação e hábitos saudáveis, é importante para a prevenção de doenças, algumas consideradas fatores de agravamento da covid. Quanto a maior a regularidade, a constância e a intensidade dos exercícios, melhor será a resposta do organismo”, explica a coordenadora do Núcleo de Academias da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC), Angélica Filippini.


A prática de atividade física aumenta a produção de endorfina, o hormônio do prazer, essencial ao bem-estar. Ao ar livre, estimula a produção de vitamina D. Tudo isso ajuda a reduzir o estresse e a aumentar a imunidade, dobradinha perfeita para quem quer manter-se longe da covid-19. Mas, para ficar longe mesmo do coronavírus, é preciso cuidado, inclusive, quando a atividade física for realizada ao ar livre. “Seguir as orientações dos órgãos de saúde, usar máscara, álcool 70% e manter o distanciamento são fundamentais”, enfatiza Angélica, ao acrescentar que a maioria dos malefícios do sedentarismo são conhecidos da população: aumento de peso, doenças cardiovasculares, diabetes, entre outros.


Atividades físicas também refletem diretamente na saúde mental. “Os exercícios contribuem para a produção de hormônios e neurotransmissores do bem-estar, que nos ajudam a estarmos sempre bem, dispostos e mais felizes. Quem se exercita regularmente apresenta melhores resultados de saúde física e mental e, consequentemente, melhor qualidade de vida”, realça a educadora física.


PÓS-COVID

No pós-covid a atividade física também é essencial. Porém, Angélica frisa que é necessária uma avaliação médica acompanhada de um profissional de educação física e de um fisioterapeuta. “Esses profissionais avaliarão o paciente para que retorne aos exercícios de acordo com as suas necessidades para que, com segurança, volte às atividades do dia a dia”, sublinha.


PESQUISA

O Ministério da Educação divulgou uma pesquisa sobre a importância do exercício físico como fator de melhora da imunidade e seu possível efeito modulador das formas mais graves da covid-19. O tema foi avaliado no artigo de revisão “The Relevance of a Physical Active Lifestyle and Physical Fitness on Immune Defense: Mitigating Disease Burden, With Focus on COVID-19 Consequences” (“A relevância de um estilo de vida ativo físico e aptidão física na defesa imunológica: atenuação da carga de doença, com foco nas consequências da COVID-19”), publicado no jornal científico Frontiers in Immunology.


O artigo cita estudos que demonstram que o exercício feito de forma aguda ou crônica atua como agente imunomodulador, ou seja, ele age equilibrando a resposta das células inumes contra os invasores, como o vírus da covid-19, minimizando os sintomas. A publicação defende a prática de exercícios durante a pandemia e durante o isolamento social, explicando os seus benefícios para a saúde física e mental e para a preservação da massa muscular, em especial em indivíduos idosos.


O estudo também aponta a necessidade de supervisão e de periodicidade dos exercícios. “O importante é começar a ‘se mexer’. Se a pessoa não tem essa prática incorporada no seu dia a dia, pode começar com uma caminhada de 30 minutos três vezes por semana e ir aumentando a quantidade de dias de forma gradativa. Em uma academia, o educador físico avaliará o desempenho de cada aluno e fará treinos específicos, aumentando a intensidade aos poucos. O importante é começar, pois mesmo pequenas mudanças já trazem benefícios para a saúde”, finaliza Angélica.